ICArEHB conquista 3ª bolsa europeia e totaliza cerca de 6.5 M de euros de financiamento

 
Nuno Bicho, investigador do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve, acaba de receber uma European Research Council (ERC) Advanced Grant, no valor de 2.5 milhões de euros.
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Esta bolsa permitirá ao investigador da UAlg investigar a dinâmica das primeiras migrações do Homo sapiens em e a partir de África e avaliar, com dados arqueológicos, o modelo genético de que as populações humanas da África Austral foram a génese da migração da nossa espécie a partir de África, há cerca de 70 mil anos. Para testar essa hipótese, explica Nuno Bicho, “o projeto reúne um conjunto alargado de investigadores internacionais, a que se juntam oito novos elementos, quatro investigadores doutorados e quatro alunos de doutoramento. O trabalho vai ter lugar nas bacias dos rios Limpopo e Save, no centro de Moçambique, uma área que medeia as duas regiões-chave do aparecimento da nossa espécie, ou seja, a África Austral e a África Oriental”.

Para Nuno Bicho, este projeto será crucial no fornecimento de dados arqueológicos, cronológicos e paleoambientais que serão inovadores e de alta resolução. “DISPERSALS fornecerá uma perspetiva nova fundamental sobre os processos relativos às primeiras migrações e dispersões da nossa espécie no continente africano e fora dele e que resultaram na diáspora humana por todo o planeta nos últimos 100 mil anos.”

Das 2652 propostas submetidas, apenas 253 investigadores principais, de 28 nacionalidades diferentes, receberam financiamento, num total de 624,6 milhões de euros, entre as quais o projeto DISPERSALS do investigador do ICArEHB.

A ERC Advanced Grant é uma bolsa de cinco anos, que visa apoiar investigadores principais de excelência, com reconhecida liderança científica no seu campo de investigação.

Na história do ERC, esta é a primeira vez que, no mesmo ano e em qualquer área científica, um centro desta dimensão consegue obter três bolsas, uma em cada tipologia (ERC Starting GrantERC Consolidator Grant e ERC Advanced Grant), o que totaliza quase 6.5 milhões de euros para o ICArEHB. Porém, salienta Nuno Bicho, “o mais relevante é o reconhecimento deste facto, que permite colocar o ICArEHB no centro das atenções científicas, da Arqueologia e da evolução humana ao nível mundial”. Este reconhecimento, concretiza o investigador, “faz com que o Centro seja agora particularmente atrativo para estudantes e investigadores, porque, para além de conseguirmos ter financiamento, a nossa taxa de sucesso é de 100% nestas bolsas da ERC. Podemos, portanto, servir de exemplo para os outros centros e investigadores, nacionais e internacionais”.

O investigador acredita que estas bolsas irão contribuir para tornar a Universidade do Algarve e o ICArEHB num centro de excelência em Arqueologia. “O sucesso na obtenção das três bolsas em 2021 faz com que o ICArEHB se confirme como o centro de excelência que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) tinha já reconhecido nas suas duas anteriores avaliações”.

Nuno Bicho reconhece ainda que “as bolsas atribuídas ao ICArEHB vão permitir que os três investigadores responsáveis possam trabalhar em ciência sem preocupações financeiras durante cinco anos, com contratos permanentes e estáveis”. Além disso, conclui, “vão possibilitar a expansão do Centro, através da contratação de perto de uma dezena de novos investigadores de qualidade internacional e, em muitos casos, com especializações únicas no País, bem como um número idêntico de alunos com bolsas de doutoramento”.

Sobre a importância das bolsas ERC, Maria Leptin, presidente do Conselho Europeu de Investigação, felicitou todos os vencedores, reforçando que “é essencial financiar a investigação de ponta para manter a Europa num nível científico de vanguarda.”

O European Research Council apoia e financia projetos pioneiros e investigadores em etapas progressivas da sua carreira. Estabelecido pela Comissão Europeia em 2007, opera de acordo com os princípios da excelência científica, ciência aberta, autonomia, eficiência, eficácia, transparência, responsabilidade e integridade da investigação assegurada pela Comissão Europeia.

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